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5 de janeiro de 2012

DÉBITO OU CRÉDITO?


O varejo seguirá firme e o setor de serviços deve crescer ainda mais, impulsionado fortemente pela demanda nas áreas de educação e saúde.


Nos últimos 20 anos, poucos negócios da economia brasileira experimentaram um crescimento tão espetacular quanto o de shopping centers. Ao longo de 2012 será aberto um volume recorde de 43 unidades, quase um por semana. Só na construção, o investimento previsto é da ordem de R$ 8 bilhões. O vertiginoso aumento do número de centros comerciais exemplifica a força do consumo no País, que gera oportunidades de negócios e empregos  em diversas áreas. Fique de olho. 

Em 2011, as famílias brasileiras desembolsaram a cifra recorde de R$ 2,5 trilhões na aquisição de produtos e serviços, segundo a consultoria paulistana IPC BR, em um mix cada vez mais variado. Essa movimentação está diretamente ligada ao incremento da renda média da população, que cresceu 24,3% no período 2004-2009, aumentando de R$ 599 para R$ 745, de acordo com o IBGE. De olho nesse potencial de consumo, empresas dos mais variados setores estão adaptando suas estratégias para crescer. 

Tome o exemplo da Samsung. A filial da gigante sul-coreana de eletroeletrônicos e informática pretende lançar, em 2012, pelo menos 15 produtos específicos para a classe média. “O Brasil conta com um número cada vez maior de adultos inseridos no mercado de trabalho e, consequentemente, aptos a consumir”, diz Hamilton Yoshida, diretor de marketing da Samsung. Os coreanos também irão ampliar o portfólio, hoje composto basicamente por tevês, DVDs e câmeras fotográficas. Para isso, estão construindo sua terceira fábrica no País, em Limeira (SP). Com investimento de US$ 300 milhões, a unidade produzirá itens como geladeiras e lavadoras de roupa. 

Movimento semelhante está sendo feito pelo grupo paranaense O Boticário, de cosméticos. Em 2011, as vendas da rede, que inclui as franquias, cresceram 20%, atingindo R$ 5,6 bilhões. “O aumento do consumo é resultado da elevação da expectativa de vida e da crescente participação da mulher no mercado”, afirma Artur Grynbaum, presidente do Boticário. 
Para saciar o apetite das consumidoras, a empresa vai desembolsar R$ 355 milhões para erguer uma fábrica na Bahia. A expansão tem como objetivo dar suporte à nova orientação estratégica da empresa, que, além das 3.220 lojas administradas no sistema de franquia, passou a operar com vendas de porta em porta, com a criação da Eudora*. 

* apesar do crescimento espetacular dos shoppings em todo o país, as vendas por catálogo ou aquelas chamadas porta-a-porta também tem crescido num ritmo acelerado e tem reservado boas oportunidades de negócios a milhões de empreendedores individuais, tanto que o grupo O BOTICÁRIO criou uma nova divisão de negócios chamada EUDORA para entrar neste mercado com milhões de consumidores(as) para brigar com gigantes do setor como Avon, Natura e Belcorp, mesmo contanto com a maior rede de franquias na área de cosméticos do mundo! 

O cenário positivo na área do consumo não beneficia apenas a indústria. Pesquisa da consultoria paulista Data Popular indica que houve uma inversão na proporção de gastos. Em 2002, metade da renda era usada na compra de produtos. Para 2011, a previsão é que, de cada R$ 100 desembolsados pela classe média, R$ 65,20 tenham sido destinados a serviços, enquanto R$ 34,80 foram usados na compra de bens. “As residências das famílias de classe média estão mais equipadas”, diz Renato Meirelles, sócio da Data Popular. “Quem adquire itens como computador acaba assinando pacotes de provedores de banda larga.”

Segundo Meirelles, a participação dos serviços deverá aumentar  na cesta de gastos, sem prejuízo da ampliação da venda de bens duráveis, beneficiados por fatores como a redução da alíquota do IPI para eletrodomésticos. “As vendas para o primeiro trimestre de 2012 devem crescer até 15% sobre o acumulado janeiro-março de 2011”, diz Lourival Kiçula, presidente da Eletros, associação dos fabricantes de eletrônicos e eletrodomésticos. Na avaliação de Meirelles, a consolidação da classe C também tem um forte componente de esforço individual. “A educação passou a ser encarada como uma via rápida de ascensão social”, afirma. “Cada ano de estudo adiciona 15% na renda.” Por conta disso, nos últimos dez anos, dobrou para 6,5 milhões o número de universitários. Caudatários desse processo, os cursos de idiomas e de informática também experimentam um boom. É o caso do Multi, dono de marcas como Wizard e Microlins e cujo faturamento avançou 34%, em 2011, para R$ 3,2 bilhões.  
“Queremos adicionar 100 mil alunos e 300 escolas em 2012”, diz Carlos Wizard Martins, fundador e presidente do grupo, que agora mira cidades de até  40 mil habitantes, com franquias mais baratas. O segmento de saúde é outro que está longe de dar conta da demanda, especialmente no Norte e no Nordeste. Bom para a cearense Hapvida Saúde, líder na região com 1,8 milhão de associados. Apenas em 2011, ela inaugurou 20 unidades entre hospitais, pronto-socorros,  clínicas e laboratórios. No total, foram investidos R$ 80 milhões. “Como o nosso modelo de negócio é baseado em rede própria, tivemos de investir fortemente em infraestrutura para atender à demanda”, afirma Jorge Pinheiro, presidente executivo do Sistema Hapvida Saúde. O empresário, a exemplo de muitos de seus colegas que atuam em outros segmentos, traça planos otimistas. “Já reservamos outros R$ 40 milhões para aplicar ao longo do próximo ano.” 

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16 de dezembro de 2011

VENDAS DIRETAS - UMA PORTA PARA 120 MILHÕES DE CONSUMIDORES


Em busca de um mercado que cresce rapidamente, um grupo formado por empresas como Boticário e Unilever adere às vendas diretas no Brasil


Consultoras da Eudora, a nova empresa do grupo Boticário

Consultoras da Eudora, a nova empresa do grupo Boticário: disputa direta com concorrentes como Avon e Natura


Durante quase 15 meses, o paranaense Artur Grynbaum, presidente de O Boticário, dedicou boa parte de seu tempo ao projeto que mudaria os fundamentos do grupo — um negócio que se apoia sobre os pilares da fabricação de cosméticos e de uma gigantesca rede de 3 000 lojas espalhadas por todo o país.

Em janeiro do ano passado, Grynbaum começou a montar uma equipe de executivos dedicados à criação de uma nova marca. Em poucos meses, 100 profissionais foram contratados — parte deles em concorrentes como Avon, Natura e L’Oréal. O projeto veio à luz em março passado, quando Grynbaum anunciou a criação da Eudora.
Com a nova marca, pela primeira vez o Boticário, a maior rede de lojas franqueadas de cosméticos do país, com receitas de 4 bilhões de reais em 2010, passou a atuar com um novo canal de vendas — o porta a porta. “Temos uma rede de lojas consolidada e percebemos que bater à porta das pessoas nos levaria a uma nova fase de crescimento”, afirma Grynbaum.
Ao criar a Eudora, o Boticário passa a disputar um canal que corresponde a 40% das vendas de cosméticos no Brasil e é dominado pela brasileira Natura e pela americana Avon. Trata-se do modelo de varejo que mais cresce no país — e que vem atraindo companhias de diversos setores, como a operadora de telefonia Telefônica e a fabricante de bens de consumo Unilever.
O porta a porta (também conhecido como venda direta) é atualmente o terceiro canal mais usado pelos brasileiros, atrás apenas das redes de supermercados e de mercearias tradicionais, de acordo com dados da empresa de pesquisas Kantar Worldpanel (ex-Latin Panel).
As receitas totais das vendas diretas quase dobraram nos últimos cinco anos, chegando a 26 bilhões de reais em 2010 — um ritmo duas vezes maior que o do varejo tradicional. Estima-se que a modalidade hoje alcance 79% dos lares do país, ou 120 milhões de consumidores brasileiros.
“Num mercado cada vez mais com petitivo, as empresas não querem apenas ter produtos nas prateleiras das lojas”, diz Marcelo Pinheiro, diretor da consultoria especializada em vendas diretas DirectBiz.
O porta a porta representa, sobretudo, um atalho para se aproximar dos cerca de 30 milhões de brasileiros recém-chegados à classe C.
“Anos de tradição transformaram as 2,7 milhões de vendedoras de porta a porta na melhor ponte para chegar a esse novo consumidor”, afirma Adir Ribeiro, diretor da Praxis, consultoria especializada em varejo. A fim de ter acesso a essa ponte para a nova classe média, em janeiro de 2010 a Telefônica iniciou um programa de vendas diretas no estado de São Paulo. 
A ideia é oferecer linhas fixas, um mercado potencial de 3,5 milhões de residências em São Paulo, mas que vem registrando queda de receitas com assinaturas nos últimos cinco anos. Cerca de 850 vendedores percorrem atualmente as periferias de 15 municípios paulistas para oferecer um plano de telefone fixo pré-pago elaborado especialmente para o programa.
No ano passado, a Telefônica conseguiu reverter a queda de 400 000 assinaturas registradas em 2009 e fechar com um saldo positivo de 41 000 novos contratos — 80% deles vendidos por meio do canal porta a porta. “Neste ano, vamos oferecer também planos de acesso à internet”, afirma Henrique Moraes, diretor de vendas da empresa.
A diversificação dos produtos vendidos por esse canal é um dos principais indicativos de seu potencial. Apesar de ser dominado pelas categorias de higiene e beleza, que respondem por 73% de suas receitas, outros itens começam a ganhar destaque. Foi o que aconteceu com a categoria de alimentos, que cresceu 107% no ano passado.
Por trás dessa expansão, encontram-se iniciativas como a da Nestlé, que, desde 2006, oferece seus produtos por meio de mais de 8 000 vendedoras espalhadas nas periferias das regiões Sudeste e Nordeste.
Graças ao aumento do número e da variedade das ofertas, o valor médio gasto pelos consumidores na venda direta cresceu 32% nos últimos três anos — o dobro da média de outros canais de varejo, de acordo com a consultoria Kantar.


A multiplicação dos vendedores
O maior desafio para aqueles que começam a investir nesse modelo de negócios é formar uma rede de vendedores com grande cobertura. A varejista Polishop, que vende por telefone e em lojas próprias produtos tão diferentes quanto chapinhas e cafeteiras, passou por esse teste recentemente.
Nos últimos três anos, a empresa investiu 5 milhões de reais no desenvolvimento de treinamentos, na criação de material de divulgação e na formação de uma diretoria específica para tocar seu projeto de venda direta.
Mas o ponto central para que a Polishop fizesse sua estreia na venda direta, em março, foi a formação de uma rede de 3 000 vendedores, um processo de três meses. “Cerca de 80% das pessoas que nos veem na TV querem nosso produto, mas não compram porque gostariam de falar com um vendedor”, afirma






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